Deixamos Sorrento após o café da manha, dia lindo, céu azul e limpo, sol claro trazendo o forte calor deste verão. A estrada iniciava sinuosa e estreita, com belas vistas do azul mediterrâneo. Avisados sobre o calor de Pompeia por ser a cidade totalmente exposta, levamos algumas garrafas de água em uma geladeira térmica. Chegamos ainda cedo e a visão que tivemos das ruínas da antiga cidade, deram uma remota idéia do que aconteceu naquele 24 de agosto de 79 d.C, quando o Vesuvio entrou em erupção e enterrou Pompeia e seus habitantes, com lava, lama e cinzas a seis metros de profundidade. A praia que margeava Pompeia foi empurrada a centenas de metros pela lava e lama. Por quase 17 séculos Pompeia ficou soterrada, congelada no tempo, com seus habitantes, bens e propriedades. Apenas em 1748 , durante escavações para canalização do Rio Sarno, foram descobertas as ruínas de Pompeia. Até hoje as escavações continuam e achados se sucedem. Entrando na cidade pela Piazza Porta Marina, do lado esquerdo ergue-se as ruínas de uma enorme construção que eram as Terme Suburbane, casa de banhos públicos, dividindo alas femininas e masculinas. Logo a seguir de um lado o Templo de Venus e de outro o Templo de Apolo, ainda bem preservados, depois a Basílica, o Fórum e o Edifici Amministrativi. Nesse ponto entramos na Via Dell'Abbondanza, a principal via onde se concentrava a maior parte dos monumentos públicos, com seu calçamento de enormes pedras retangulares e as calçadas mais elevadas, também de pedras menores. Aqui e acolá bicas de água surgem nas esquinas, onde os antigos habitantes deveriam se abastecer. As ruas, retilíneas, com suas calçadas e as paredes das casas, geminadas, todas de pedra, sem porem os telhados que nåo suportaram o peso da lava, se alinhavam de ambos os lados da rua. deixando o pensamento vagar, voltamos a Pompeia, com seus habitantes, seu movimento, seu dia-a-dia. Impressionante. Caminhando pelas ruas pode-se espiar o interior de lojas e residências, ler anúncios e grafites, ver e admirar pinturas e esculturas. Enormes vasos, jarras, decoravam entradas e salões, utensílios diversos espalham-se pelas casas. Nas padarias fornos encravados na base de pedras, ainda contem restos de carvão. Em varias residências o nome da família ainda estå na placa da porta. Outro prédio bem conservado eram as Terme Stabiane, um grande complexo de banhos públicos com um pátio para exercícios. Alguns balcões de lojas ainda exibem símbolos que se destinavam a atrair a população do campo, analfabetos, que vinham fazer compras na cidade. Da para entrar nas antigas casas, caminhar pelas ruas de pedra, conhecer parte do Anfiteatro, as Tabernas e até o Lupanar, o prostíbulo, espetacularmente bem conservado, com seus dois andares, dez quartos, com imagens erøticas nas paredes e nos corredores estreitos e camas de pedra. O mais impressionante porém, såo as múmias, os corpos petrificados das pessoas como se encontravam no momento. Muitos nos templos, outros tantos nas casas, lojas e calçadas. Cães em posição de extrema dor, se contorcendo. As múmias eståo sendo levadas para o Museu de Napoli e de outras partes do mundo, já que em Pompeia, pelo volume de visitantes estariam se desfazendo. Algumas já colocadas em caixas de vidro para conservação. Percebe-se que Pompeia foi grandiosa e muito ainda tem para surgir das cinzas. Levamos todo o dia andando por Pompeia, percorrendo suas ruas, admirando as imensas colunas romanas do Fórum, sentados na escadaria do Anfiteatro, admirando escudos e armas na Caserna de Gladiadores e, surpreso, conhecendo a famosa Casa do Fauno, que eu julgava uma grande estatua e vi que nåo tinha sequer meio metro. Um passeio imperdivel pela história. Como o dia já se fora, muito cansado e com fome, fui jantar e consegui vaga num albergue para uma noite. Amanhå conhecer o Vesuvio e ir para Nápoles.
















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