Menos de uma hora depois, por estradas espetaculares, cheguei a Napoli, Capital da Campanha, sul da Italia. Nem bem entrei na cidade e já encontrava-me num enorme engarrafamento. Na primeira "rotunda" como a portuguesa do GPS falava, pirei! Carros avançavam por todos os lados, se havia preferencial ninguém respeitava. Um verdadeiro caos. Se nåo fosse o GPS eu acho que teria largado o carro em qualquer lugar e pego um taxi. Devo ter demorado mais para chegar ao Terminus Starhotels do que de Pompeia a Napoli. Mas, graças a Deus e ao GPS chegamos eu e o carro inteiros e bem. Devidamente acomodado em um belo quarto, após um demorado banho e um descanso, sai a pé para conhecer os arredores e tomar um lanche. Numa Livraria comprei o mapa da cidade e fiquei sabendo que Napoli é uma das poucas cidades européias do mundo antigo que nunca foi totalmente destruída. O Hotel fica bem em frente a Estação Ferroviária de Napoli e o movimento tanto de pessoas como de veículos esta intenso. Fui para a Estação, pois la tinha varias lanchonetes e lojas. Achei de cara o Mac-Donalds e lå tomei o lanche. Vendo o noticiário pela televisão da lanchonete, chamou-me a atenção noticias de crimes praticados em Napoli pela Camorra, a Måfia Napolitana. Falava também em índice de desemprego alto e violência. Nåo havia duvida eu estava no sul da Italia. Bem, a noite chegava com uma leve chuva e resolvi voltar para o Hotel descansar para o dia seguinte. Após o café da manha, a pé e preparado para andar muito, deixei o Hotel e deparei-me com uma Napoli cheia de vida, movimentada, apressada. Napoli é tåo famosa por seus cidadãos quanto por seus monumentos e tesouros históricos. Com mais de 1 milhão de habitantes, a cidade é viva e alegre. Pelo mapa verifiquei que os muitos palácios, igrejas e mosteiros do centro de Napoli concentram-se em poucas ruas. Localizei-me na Piazza Del Plebiscito, ao lado do Museo Archeologico Nazionale, que abriga uma das coleções mais importantes do mundo de escultura clássica romana, mosaicos, jóias e inúmeras e impressionantes múmias vindas de Pompeia e Herculano e do Palazzo Reale do século XVII com suas onze grandiosas salas. Entrei na Via Toledo, com bares, gellaterias, lojas de esculturas de madeiras e jóias espalhados em ambos os lados da rua e pelas calçadas. Cheguei na Piazza Dante e parei maravilhado com o Duomo di Napoli, uma espetacular e enorme Catedral gótica do século XIII, dedicada a San Gennaro, patrono de Napoli. Seu interior majestoso, sustentado por enormes colunas trabalhadas e pinturas religiosas cobrem as paredes até o teto. Na Capela principal, dois frascos contem o sangue de San Gennaro, que ficaria liquido três vezes por ano. Ao lado da Catedral esta a Igreja mais antiga de Napoli, do século IV, a Basílica de Santa Restituta, um batistério e uma cripta. Deixando o Duomo, peguei uma estreita rua so para pedestres e entrei no barulhento Centro Histórico de Napoli. O plano quadriculado das ruas que foram o Centro Histórico foi o núcleo da antiga Napoli, com três ruas principais, as antigas decumani, que cortam a parte mais antiga da cidade. Segui pela Spaccanapoli, uma das decumanis , que cruza o centro da cidade antiga, uma rua cheia de vida, igrejas, palácios e lojas que vendem de tudo, de livros a instrumentos musicais e objetos religiosos. Na Piazza del Gesu Nuovo, conheci o obelisco rococø e a impecável e conservada Guglia Dell'Immacolata. Sempre em frente, na Piazza Município encontrei o Castel Nuovo, um enorme castelo erguido em 1282, ocupado hoje pela Prefeitura e pelo Museu Cívico. Logo adiante a grande Chiesa de Santa Chiara, a Igreja Franciscana de Napoli. Um complexo gótico do século XIV fundada pelo Rei Roberto de Anjou para sua mulher Sancia, tendo se tornado o ponto central dos Governantes de Nápoles, vários dos quais encontram-se la enterrados. Na Via Viccaria Vecchia, centro do bairro universitário, com inúmeros bares e restaurantes, inclusive o Scaturchio, uma das mais antigas e melhores pasticcerie de Napoli. Como a fome havia apertado, comi a famosa Pizza Napolitana e, digo de boca cheia, comeria muitas outras. Deliciosa. Finalizando o dia, fui ao Museo e Parco di Capodimonte, construído em 1738 como hospedaria de caça do Rei Carlos III. O Palácio abriga um dos mais ricos museus da Italia. Passei por seus suntuosos apartamentos reais e contornei a sombreada avenida do Palácio. O dia terminava e resolvi retornar ao Hotel. Amanhå Roma me esperava.
Relato de um passeio por 3.640km. em estradas italianas, conhecendo cidades pitorescas, medievais, historicas. Conhecendo e provando de sua culinaria formidavel, sua cultura, sua receptividade. Todo meu passeio foi planejado daqui, com quatro meses de antecedencia.
sábado, 19 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
O AMEAÇADOR VESUVIO!
Pela manhã estava já na Piazza Porta Marina, em Pompeia, onde peguei um pequeno ônibus, 4X4, reforçado para subirmos ao Vesuvio. Antes, noite anterior, fui aconselhado no albergue a comprar uma bota própria para terrenos pedregosos mas, como meu tênis era novo e estava perfeito, nåo segui o conselho. Saímos da velha Pompeia, cruzamos a nova e moderna Pompeia e, alguns minutos depois estávamos chacoalhando terrivelmente nas pedregosas encostas do Vesuvio. O motor do ônibus gemia e a poeira tomava conta de tudo, pois as janelas tinham de ser mantidas abertas pelo calor abafado que piorava a medida que subíamos. O Vesuvio é mais conhecido pela erupção em 79 d.C., que resultou na destruição das cidades romanas de Pompeia e Herculano. Ambas jamais foram reconstruídas, apesar de habitantes sobreviventes e saqueadores ocasionais terem realizado diversos despojos nos escombros. A localização das cidades foi eventualmente esquecida, até serem acidentalmente redescobertas no final do século XVIII.A erupção de 79 também mudou o curso do rio Sarno e aumentou a área litorânea do entorno. O Vesúvio em si passou por diversas alterações significativas, suas encostas ficaram desmatadas e seu pico mudou consideravelmente devido à força da erupção. Desde então, o vulcão entrou em atividade diversas vezes, sendo considerado atualmente um dos mais perigosos do mundo devido a sua tendência de erupções explosivas e à população de 3,000,000 habitantes em suas cercanias, o que faz desta a região vulcânica mais populosa do mundo. Quarenta minutos depois, sentindo como se estivesse num liqüidificador, chegamos até onde o ônibus poderia ir, a 1.000 metros de altura. faltavam 281 metros que teríamos de vencer a pé. Com as garrafas de água na cintura, começamos a subida pela encosta pedregosa, num forte calor, sob sol inclemente e, então comecei a entender o conselho recebido no albergue, sobre usar botas. Descobri também o porquê do guia levar diversos bastões de madeira. Seriam nossos cajados na caminhada. Quase no final demos uma parada para descanso, jå que uma senhora estava exausta e conseguia mais. Pudera, pensei, aquela era uma aventura para jovens em boa forma, o que também nåo era meu caso, pois estava pondo a língua para fora. Retomando a caminhada chegamos então ao cume do Vesuvio, dando de cara com aquela enorme e funda cratera, expelindo sua coluna de fumaça branca, como uma chaleira. Eu, com meu tênis de guerra, sentia o chão quente, as pedras forçavam a sola,e agrediam a lona ao redor do pé. O guia então explicou que a cratera estava jå fechada pelo acumulo de detritos trazidos pelo vento, pedras que escorregavam, pois a ultima erupção havia sido em 1944, bem mais fraca, porem havia causado muitos estragos na nova Pompeia. Olhando o horizonte, a nova Pompeia e outros pequenos vilarejos encontravam-se bem próximos e víamos perfeitamente Nápoles mais ao longe. Serå que os moradores da nova Pompeia e dos arredores nåo tinham medo de uma nova erupção? O Vesuvio é um vulcão ativo e, apesar de ser um dos mais vigiados do mundo, o perigo esta sempre presente. Aliás, o Vesuvio e tåo respeitado pela população local, que nunca se referem a ele como Vulcão, sempre como Monte Vesuvio. Agora, o estar lå encima, ao lado da enorme cratera do Vulcão, um dos mais conhecidos no mundo, era emocionante. Experimenta-se um sentimento de vitoria, de sonho realizado, algo difícil de explicar. Bem, era hora de ir embora, caminhar um bocado e chacoalhar mais um pouco. No final da manhã, exausto e faminto, após um longo banho almocei no Piazza Marina Grill, descansei um bocado, e despedi-me de Pompeia e do Vesuvio e tomei o rumo de Nápoles, onde me esperava o aconchego do Therminus Starhotels.
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