Hoje procurei acordar mais cedo, tomei café e fui para o ponto do Vaporetto para Veneza. Se esperava pega-lo vazio ou, pelo menos, menos cheio, enganei-me. Pelo visto ele anda sempre cheio a qualquer hora. Desta vez porem consegui ir do lado de fora, pegando um ventinho, já que o calor estava presente com toda força. Desembarcamos no grande calçadåo e ainda havia lojas e lanchonetes abrindo as portas, comparando com ontem, poucas pessoas estavam no vai e vem. Bem, calmamente, curtindo a delicia do ambiente, o espetacular visual e o barulho das ondas provocadas pelos barcos que cruzavam o canal, fui para o Palazzo Ducale, continuar a visita. Passei pela Porta Della Carta, pelo esplendoroso Pátio, pelas Escadarias e cheguei na Sala Del Senato, onde ontem suspendi minha visita. Logo a seguir entrei numa enorme sala que ocupava praticamente toda uma ala do andar. Era a Sala Del Maggior Consiglio, a maior sala do palácio, luxuosamente decorada, com paredes e teto pintados em alto relevo com aplicações de pø de ouro. Era a grande Camara do Conselho, onde se reuniam 2.600 aristocratas da época. Ao redor das paredes, hå retratos dos primeiros 76 Doges e uma lacuna com um véu preto em vez do retrato. Este espaço deveria ter homenageado o Doge Marin Falier, mas ele foi executado por conspirar contra o Estado em 1355. No local ainda existe o Libro d'Oro (Livro de Ouro), do século XIV, onde eståo os nomes das famílias nobres que participavam do Conselho. Até o século XVI todos os criminosos venezianos cumpriam suas penas no søtåo ou no porão úmido do Palazzo Ducale. Isso mudou radicalmente depois da construção das Prigione Nuove em 1598. A partir dai os criminosos desfrutaram do conforto das que eram consideradas as melhores acomodações prisionais da Europa. As prisões såo separadas do palácio por um canal que é cruzado pela conhecida Ponte dei Sospiri, provavelmente a ponte mais fotografada do mundo. Conta uma lenda romântica que dizia que, quando os prisioneiros cruzassem essa ponte fechada no primeiro andar, jamais retornariam. No bloco da prisão, escadas íngremes levam ao pavilhão de celas, algumas das quais ainda mantém o numero e a capacidade pintados sobre a porta e rabiscos em seu interior. Deixando o Palazzo Ducale, fui a um Traghetti de onde saem e chegam as Gôndolas, no Canal Grande. Três pessoas já estavam no local e eu fui o quarto, so faltava mais um para a lotação da gôndola. Demorou um pouco, por ser so mais um lugar, mas uma senhora chegou e partimos para um passeio por uma das vias aquáticas mais impressionantes do mundo. Palácios, Igrejas e Hotéis magníficos desfilavam pelas suas margens. Entramos por pequenos canais, passamos sob pontes lindíssimas, umas floridas outras com estatuas e monumentos. Restaurantes, lanchonetes e hotéis mantinham entrada pela água, balcões sobre os pequenos canais, pequenas e estreitas calçadas com lojas e lanchonetes acompanhavam os canais, Belos prédios se erguem com suas fachadas banhadas pela água. Difícil descrever tanta beleza. Paramos um pouco para admirar a incrível Igreja Madonna Dell'Orto, fundada no século XIV e dedicada a Såo Cristóvão, patrono dos viajantes. O meu guia descreve a fachada da igreja do seguinte modo: " Dominando a praça e um canal, a Igreja possui uma bela fachada gótica, mas com uma falsa galeria no alto que é única. Uma imagem de Såo Cristóvão e um belo portal se destacam na fachada. Atras ergue-se uma esplendida cúpula em forma de cebola, equilibrada por um esguio campanário". Continuando passamos sob a Ponte de Rialto, sempre muito movimentada e onde pegamos um engarrafamento de gôndolas. Då para acreditar?. Visitamos rapidamente a Galleria Dell'Accademia e o Hotel Regina, dois belos prédios, cuja fachada da para o Canal Grande. Finalizando o passeio, já tendo deixado a gôndola, visitei o Panteão de Veneza, o Castelo de Santi Giovanni e Paolo, o local do repouso final dos Doges e heróis da cidade. A Igreja de tamanho impressionante é toda de tijolos vermelhos e ornamentação em pedra. O interior é sombrio e suas paredes forradas de túmulos e monumentos. Dia o guia que nåo menos de 25 Doges eståo enterrados aqui. Bem, nåo sendo muito de meu gosto, deixei rapidamente o local. Ja passavam de 15 horas e nåo havia ainda almoçado, ou pegado o pranzo, o que fiz na Piazzale Roma, onde pegaria o Vaporetto de volta para Mestre. Como o ultimo Vaporetto sairia as 21.00horas, ainda tomei uma taça de vinho no famoso Florian, ouvindo musica italiana e despedindo-me de Veneza com um Até Breve.
Relato de um passeio por 3.640km. em estradas italianas, conhecendo cidades pitorescas, medievais, historicas. Conhecendo e provando de sua culinaria formidavel, sua cultura, sua receptividade. Todo meu passeio foi planejado daqui, com quatro meses de antecedencia.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
VENEZA A MARAVILHA!
Cheguei por Mestre onde hospedei-me no Hotel Sirio, muito agradável e confortável, na Via Circonvallazione, ainda pela manhã. Após arrumar as malas, segui para o embarcadouro onde peguei um Vaporetto para Veneza. Como nåo havia mais lugar no lado de fora, fui na parte de baixo do Vaporetto e, assustado, percebi que estava ao nível do mar, as pequenas ondas lavando as janelas. No caminho passamos por imensos navios de turismo, enormes e maravilhosos iates e veleiros com bandeiras diversas, lanchas oceânicas também de bandeiras diversas, sinal que Veneza deveria estar lotada de turistas. Pouco depois desembarcávamos na parada de Vaporetto de San Marco, um grande e largo calçadåo com muitas lojas, restaurantes, mercearias, cafés em toda extensão. Ali adquiri meu guia de Veneza e comprei minha garrafa de água, inseparável por causa do calor. Uma pequena multidão encontrava-se ali, andando de um lado para outro, indo e vindo e, chegando mais vaporetti. ao longe jå enxergava duas enormes colunas, uma com um grande Leão Alado, símbolo de Veneza no topo e outra com Såo Teodoro pisando no Dragão. Sem duvida era a entrada da Piazza di San Marco. Fui para lå, passei sobre um canal por uma ponte e cheguei então a Piazza de San Marco, o coração histórico de Veneza, cuja visão é de tirar o folego. Napoleåo descreveu a praça como sendo a maior sala de estar da Europa. Cercada de museus, lojas chiques e cafés, ve-se em frente a espetacular Basílica di San Marco, um dos mais belos edifícios medievais do mundo, o coração espiritual de Veneza, coberto de mosaicos e objetos preciosos. de outro lado o Palazzo Ducalle, o polo político e jurídico do governo veneziano, o maior, mais imponente e luxuoso edifício cívico em Veneza, de outro lado da Basílica, um pequeno espaço guardado por antigos leões de mármore, cujo nome é piazzetta dei leoncini, é dominado pela Torre Dell'Orologio. Esta espetacular e lindíssima torre medieval, possui um relógio zodiacal com figuras mecânicas e é encimado por um enorme leão dourado. Nas laterais da praça prédios com arcadas se erguem. Såo os escritórios dos procuradores de San Marco. A Procuratie Vecchie do século XVI em frente e a Procuratie Nuove do século XVII. Dois cafés históricos, com interiores luxuosos e serviço impecável espalham suas mesas pela Piazza e uma orquestra anima os fregueses. Såo o Florian e o Quadri. No Florian jå bem movimentado, fomos conhecer suas salas, finamente decoradas, com as paredes recobertas por pinturas com motivos variados, principalmente religiosos ou de época. Num dos cantos da Piazza, atraindo muita gente, eståo os famosos cavalos de bronze, criaturas poderosamente evocativas foram saqueadas de Constantinopla em 1204 e såo o único grupo sobrevivente de charrete com quatro cavalos da antiguidade. Eståo na Piazza de San Marco hå oitocentos anos. Entrei na Basílica di San Pedro e estranhei um pouco a penumbra em seu interior. Uma placa indica a porta de Sant'Alipio, como uma das cinco que levam ao átrio, após subir uma íngreme escada que o leva ao nível dos mosaicos. De la sai-se para o balcão e tem-se uma vista espetacular da Piazza San Marco. No nível do chão o principal ponto de interesse é a Pala D'Oro, uma tela de mármore bizantino que esconde a chancela e o altar-mor, onde eståo os restos de San Marcos. Atrás do altar fica a Pala D'Oro, um grosso retábulo de ouro e prata de 1342. Ele é coberto por mais de três mil pedras preciosas e 80 placas esmaltadas dos séculos X a XII. Ao lado estå uma bela Capela, da Madonna Nicopeia. Em seguida dirigi-me ao Palazzo Ducale, cuja primeira impressão deste Palácio de Conto de Fadas såo inesquecíveis. No palácio se reuniam os conselhos que governavam Veneza, a casa do Doge, os tribunais de justiça, o serviço publico e as prisões. Atravessando a bela fachada frontal em rosa e branco, entra-se pela Porta della Carta, toda floreada e sai-se num grande pátio, de onde saem duas imponentes e extravagantes escadarias, a Scala dei Giganti e a Scala D'Oro, de estuque e folheada a ouro. No primeiro andar visitei a fenomenal Sala Del Maggior Consiglio, a maior sala do palácio, com seu teto e paredes pintados e dourados em alto relevo, no segundo os Aposentos do Doge, que incluem uma serie de salas intimas com tetos esplendidos e lareiras maravilhosas. Mais ao fundo a Sala del Senato, onde 300 membros se reuniam. Bem, hora de pegar o vaporetto de volta para Mestre. Amanhå retornarei a Veneza. Novamente o vaporetto lotado, pessoas em pé e eu vendo a linha d'água na janela. Acho que eles exageram na lotação. Bem, na parte 2 de Veneza, continuarei sobre o Palacio e outras maravilhas de Veneza.
domingo, 4 de dezembro de 2011
ROMA CIDADE ETERNA Parte 6
Mesmo tendo me recolhido ontem muito cansado, hoje acordei e levantei-me mais cedo. Consequentemente tomei meu café mais cedo e sai mais cedo também. Peguei o ônibus e desci ao lado do Circo Massimo, andei um pouco e cheguei na Piazza della Bocca della Veritå. A Bocca della Veritå, uma tampa de bueiro medieval, cuja lenda diz que ao colocar a måo em sua boca, se fosse um mentiroso ela o engoliria. Coloquei a minha e a tirei intacta. Ou nåo sou mentiroso ou a lenda nåo funciona. Ela estå no pórtico da Chiesa de Santa Maria In Cosmedin. Na piazza temos também a Fontana dei Tritoni, o Arco de Janus do século IV, coberto de mármore com quatro faces e a Chiesa de San Teodoro, uma Igreja circular com mosaicos do século IV. De lå, como o calor estava abrasador, peguei minha rota preferida, a calçada que margeia o Rio Tibre, com sua sombra patrocinada pelas arvores que margeiam a calçada. De lå olhava o rio correndo por sob pontes lindíssimas, passei pela Ilha Tiberina com suas construções medievais. Nas margens do Rio, com acessos por escadarias, diversos restaurantes e verdadeiros clubes desfilam lado a lado, até cinemas ao ar livre. Um local muito freqüentado pelos romanos. Atravessando a ponte Luiz XV, fui enfim visitar a famosa Fontana de Trevi e jogar lå minha moeda garantindo o retorno. A Fontana, mundialmente conhecida por fotos e filmes, nada fica a dever na realidade. Exuberante, formosa, altiva se sobressai na pequena piazza atulhada de turistas e lojas. Difícil mesmo de se fazer uma foto. A piazza muito pequena e a fonte muito grande. De la até a Chiesa de Santa Maria Maggiore é uma boa caminhada, porém vale a pena para conhecer esta belíssima Igreja e o maravilhoso Baldaquino do século XVIII em seu interior. Roma nåo se esgota por aqui. A cidade é um museu a céu aberto. Palácios, museus, fontes, estatuas, Igrejas, belas praças, famosas lojas nos impressionam a cada esquina. A historia da cidade, suas relíquias, seus tesouros, sua memória espalham-se por todo lado. Roma é bela, magnifica, vibrante, orgulho de seu povo e admirada no mundo inteiro. A noite romana é elegante, requintada, romântica, alias em toda Italia. Restaurantes, bares e cafés ao lado de monumentos históricos famosos, em piazzas magnificas. em cenários de sonho. Ontem mesmo, na Galeria da Piazza della Republica, a inauguração de uma sala de espetáculos foi uma grande festa. Artistas do cinema italiano, de televisão, jornalistas, cinema, publico, todos educados, comportados, sem gritarias e correrias. Drinks e refrigerantes servidos a todos, artistas, convidados, publico em geral. uma grande festa, da qual participei até certa hora, por encontrar-me cansado demais. Senti-me um privilegiado, sortudo, por ter a chance de percorrer Roma em detalhes, conhecer o cotidiano da cidade, percorrer algumas das centenas de Igrejas, Palácios, Villas, Ruas famosas no mundo. Convivi com nativos de Roma, fiz algumas poucas amizades, a barreira da língua foi logo derrubada, principalmente pela gentileza e receptividade dos italianos, agradáveis, simpáticos, alegres. Experimentei pedir comida e lanches pelo cardápio, sem saber ao certo do que se tratava e, em pouquíssimas ocasiões, dei-me mal. Agora, em casa, escrevendo esse blog, minhas recordações eståo mais vivas do que nunca, trazendo-me saudades dos espetaculares momentos na Italia. Novamente agradeço muito aos meus amigos Marcondes e Clayton e a sua competente equipe da Cultura Viagens, pelas sugestões, providencias com aluguel de carro, hospedagens, seguros, enfim, por toda assistência que me prestaram durante minha estadia na Europa, que ocorreu sem qualquer contratempo. Bem, paro por aqui. no blog seguinte ainda falarei sobre Veneza e depois percorrerei a França da mesma maneira que percorri a Italia.
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