Um novo e magnifico dia se mostra ao abrir a janela de meu quarto em Firenze. Céu de um azul límpido, sol claro e já quente são uma dificuldade para meu despertar e deixar aquele quarto de temperatura agradável graças ao ar condicionado. Noite anterior retornei um pouco tarde, comi uma bela pizza e tomei vinho nacional, muito bom. Também passei o primeiro vexame com o auto alugado. Sem gasolina praticamente, cheguei ao posto de abastecimento e, surpreso, me deparei com cinco bombas, de combustíveis diferentes. Gasolina com chumbo, sem chumbo, Extra Dry, Diesel e benzina. Sem atinar para esse detalhe, ao alugar o carro, nåo perguntei qual o combustível. E nem me disseram. Nos papeis nåo havia menção desse item. Cheirando o bocal do tanque, nåo descobri. Ai resolvi experimentar os bicos no tanque e, para minha sorte sø o de benzina encaixou. Um problema a menos. Agora o segundo. O gatilho nåo liberava o combustível. Percebi então que o posto estava fechado, porém um motoqueiro estava abastecendo quando entrei. Entrou então outro motoqueiro e resolvi perguntar o que devia fazer. Ele então mostrou-me ao lado das bombas um caixa eletrônico em que devíamos depositar a quantia que queríamos em combustível. Teclei 50 Euros, enchi o tanque e me foi devolvido 12 Euros. Que beleza. Mais um aprendizado. Bem, mas continuemos. Após o café sai em direção a San Gimignano, a cidade das Belas Torres. Ao longo da Idade Media a cidade era dividida quanto a fidelidade ao papado e ao império, os guelfos e os gibelinos e durante esses anos, famílias ricas construíram 72 torres de proteção, das quais 14 continuam em pé, dessas, apenas 1 a Torre Grossa esta aberta para visitaçao. Para uma cidade pequena, San Gimignano era rica em torres, mas continua rica em obras de arte, boas lojas e restaurantes.No portão principal, por onde quero entrar nåo acho vaga para o carro. Continua pela via principal, circulando a muralha da cidade e, sempre descendo. Achei a vaga no terceiro estacionamento e tive de subir numa estreita calçada junto a muralha, até a porta. Foram muitos metros de subida pesada. Entrei na cidade pelo Portão Principal, a Porta San Giovanni e subi até uma grande e bela Piazza, a Piazza Del Duomo. De imediato senti que todo meu esforço havia sido recompensado pela majestosa vista daquela praça medieval. Na minha frente surge a Igreja Collegiata, a principal de San Gimignano. Uma construção do século XII, conservada. Seu interior impressiona pela quantidade de pinturas da vida de Cristo e no seu teto, muito alto, estrelas douradas pintadas em toda extensão. Ao lado da Collegiata esta o Palazzo Del Popolo, hoje o principal museu, onde se destaca a Sala del Consiglio, onde Dante, como Diplomata Florentino seu reuniu com membros do conselho de San Gimignano. No outro lado da Collegiata situa-se uma galeria também toda pintada e a minúscula Capela de Santa Fina, onde se encontram os restos da Santa, protetora de San Gimignano, falecida em 1253. Esta Capela é considerada uma jøia do renascimento florentino. Nesta bela praça estå também localizado o Palazzo Vecchio del Podestå, de 1239, cuja torre é indicada como a mais antiga da cidade. Continuando pela Via San Giovanni, onde se concentram inúmeras lojas de produtos locais, cheguei a Piazza Della Cisterna, que marca o centro da cidade antiga. No centro desta praça, imponente, ergue-se desde 1237 uma enorme Cisterna de pedra branca, com um emblema em um dos lados, mostrando uma escada. Esta bela praça é rodeada de palácios medievais, todos da mesma pedra branca e também ladrilhos trabalhados. Dentre as construções nesta praça destacam-se o Palazzo Cortesi-Lolli, o estreito Vicolo dell'Oro, assim chamado por ser o local onde se reuniam famosos artesãos de ouro, o Palazzo Lupi, sobre o qual se ergue a Torre do Diabo, assim chamada por uma lenda que narra que seu dono, ao voltar de uma longa viagem, percebeu que a torre estava mais alta de quando havia partido, atribuindo ao Diabo ter terminado sua obra durante a ausência e, o Palazzo Tortoli e sua Torre dei Pucci. Os palácios eståo abertos a visitaçao e fiz a visita ao Palazzo Lupi, onde o mobiliário de época ainda se encontra em seus comodos. As torres estavam fechadas. Na Piazza della Cisterna, resolvi fazer um lanche reforçado, jå que pretendia somente jantar. Para variar comi espaguete ao molho pomodoro e, de sobremesa, pedi a Torta de Bøscoli, para conhecer o que era. Para minha agradável surpresa era Torta de Cereja, deliciosa por sinal. Diversas vezes depois novamente me ofereciam Frita de Bøscoli, porem agora eu sabia o que era. Bem, como ainda tenho muito a falar sobre San Gimignano, continuarei na próxima postagem.
Relato de um passeio por 3.640km. em estradas italianas, conhecendo cidades pitorescas, medievais, historicas. Conhecendo e provando de sua culinaria formidavel, sua cultura, sua receptividade. Todo meu passeio foi planejado daqui, com quatro meses de antecedencia.
sábado, 24 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
P I S A
Novo dia, levanto da cama, abro a janela e recebo uma lufada de ar quente. Lå fora um sol forte enche de cores um lindo dia. Depois de uma noite um tanto turbulenta em razão do disparo acidental do alarme de incêndio do Hotel, as quatro horas da manhã, desço para o café da manhã. Logo deixo minha base que é o Hotel Palazzo Ognissanti em Firenze, para mais um passeio por cidades próximas. Desta vez escolhi para rever Pisa. Acerto a rota do GPS para Pisa e, após uma hora ou 100km. já estou entrando na cidade. Pisa, durante grande parte da Idade Média, possuía uma poderosa armada que garantia o domínio do Mediterrâneo ocidental. Comércio com a Espanha e norte da Africa trouxeram grandes riquezas para a cidade. Como nas cidades anteriores, tenho de deixar o carro num estacionamento e, assim, a pé, começo meu passeio pela cidade. Inicio pelo Campo dei Miracoli, onde fica a famosa Torre Inclinada, a espetacular Catedral e o maior Batistério de toda Italia, o Duomo belíssimo e o Camposanto, um cemitério medieval muito bem conservado. Com poucas pessoas na praça, pois os ônibus de turismo ainda nåo chegaram. aproveito para conhecer o Torre Inclinada, um monumento de mármore branco, com 56 metros de altura e 296 degraus, ou seja sete andares. Decidi-me então a subir os 296 degraus e, olhe, nåo é fácil nåo. Lembrei-me da Torre de Lucca com 486 degraus e achei por bem continuar. A partir do 3o. andar jå se percebe a inclinação que, no topo, chega a 3 metros e noventa centímetros. Duas paradas de descanso depois chego ao mirante do sétimo andar. A inclinação agora incomoda, empurra o corpo. Chego ao mirante e olho direto para o chão. Nåo vejo a base da torre e isso provoca uma sensação inicial de desequilíbrio. Mas procuro prestar atenção na torre e vejo que espetáculo de construçåo. Mármore todo trabalhado, entalhado, colunas, corrimãos, paredes. Jå descansado e descendo, sinto que valeu a pena o esforço de vencer os 296 degraus. Chego na porta da torre e percebo sua forte inclinação para um lado. Impressionante aquela obra manter-se em pé. Sigo então para a Catedral, considerada um dos mais belos prédios em estilo românico da Toscana( estou lendo isso no guia da cidade). Impressiona os arcos também de mármore branco e dois grandes portões de bronze na entrada. Seu interior com paredes e tetos decorados, um lindo púlpito esculpido e os túmulos do Imperador Henrique VII e outro. Em frente a Catedral ergue-se o Batistério, outra construção que impressiona pela sua beleza e imponência. Os pilares possuem estatuas representando as virtudes, no interior o púlpito esculpido em relevos e uma belíssima Pia Batismal toda em mármore branco trabalhado. Ainda no Campo Dei Miracoli, agora jå lotado de turistas, vendedores, guias com suas excursões e Policia atrás dos Indianos vendedores de bugigangas, chego ao Camposanto, um longo edifício retangular, com arcadas de mármore branco, tendo em seu interior ainda algumas pinturas. Diz um guia próximo para sua turma, em Espanhol, que aproveito, que o Camposanto guarda em seu interior terra trazida da Terra Santa e que ele, o Camposanto, foi duramente bombardeado, bem como a cidade, durante a segunda guerra mundial e, que as pinturas que restaram em seu interior, fazem parte de cenas de " O Triunfo da Morte". Em pensamento agradeci ao guia as dicas. Deixando o Campo Dei Miracoli, visitei o Orto Botânico, considerado um dos mais antigos da Europa, a pequena Chiesa de Santa Maria della Spina, ao lado do Rio Arno. Com uma fachada muito bonita, toda trabalhada, essa Igreja, conta a história, foi construída para abrigar um espinho da coroa de Cristo, dada por um Mercador de Pisa. Finalizo meu passeio em Pisa na Piazza dei Cavalieri, onde se situa o Palazzo dei Cavalieri, hoje sede da Scuola Normale Superiore, da Universidade de Pisa. Numa barraca próxima abasteço-me de água, pois o sol já se mostra escaldante e sigo para meu carro. Ao atravessar a pequena praça onde inúmeras barracas de vendedores se acumulam, percebo um corre-corre de indianos, recolhendo mercadorias expostas no chåo. Vejo então um veiculo da Polizia de Finanças perseguindo-os, enquanto os comerciantes das barracas aplaudem e assobiam. Esse movimento lembrou-me o Brasil. Hoje retorno a Firenze mais cedo, pois pretendo sair a noite para passear e jantar. Até o próximo.
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