sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DE CAMERINO A PESCARA

Saímos de Camerino já na região de Marche e, em pouco tempo pegamos a via Lungomare, na Costa Adriática, rumo a Pescara, onde passaremos dois dias. Jå nåo estou sø, agora estou em companhia de minha filha Fernanda. São 64 quilômetros a percorrer em estradas magnificas espremidas entre o Mar Adriático e o Apeninos, com paisagens rurais, cidades antigas, colinas e praias arenosas. Atravessamos belos vilarejos, de ruas estreitas, passando rente a porta das casas e sob varandas floridas. Sentimos o cheiro de mar, aquela maravilhosa sensação de chegar a praia. Entramos em Pescara e nos surpreendemos com a cidade. Moderna, edifícios e casas em estilo moderno, ruas largas e enormes calçadøes, praças muito bem cuidadas, com esculturas modernas.  O trânsito esta lento e pesado e o GPS sugere sair da Vialle Castellamare, entrar a esquerda na Pineta e pegar a Viale Della Riviera, já com o azul mar Adriático a nossa esquerda. Passamos pela Piazza S. Francesco, cuja igreja em estilo modernissimo chama a atenção e, em poucos minutos chegamos a bela Piazza Prima de Maggio, onde encontramos o Hotel Esplanade, nosso destino em Pescara. Após deixar as malas no quarto, colocar um short, desço para a rua e dirijo-me para a praia. Atravesso a rua, passo por uma enorme e bela Fonte jorrando água numa altura considerável e entro na Spiaggia Libera, ou seja, uma praia livre, em que a pessoa tem de levar tudo, toalha, cadeira, bebidas, pois nada é servido ou alugado. Fernanda, com dor de cabeça fica no Hotel e eu resolvo passear na praia, molhando os pés numa água na temperatura ideal, nem fria e nem quente, mais fria que nosso Nordeste e mais quente que nosso Sul. Pelo pessoal que vejo na praia e pelas conversas que ouço percebo que são famílias locais. De fato Pescara é um Balneário de férias, afastado da rota turística. Ando bastante, aproveitando aquela gostosa praia e, ao voltar para o local de onde havia saído, na praia libera, encontro já a Fernanda e, então vamos passear no calçadåo, muito largo, com jardins em toda extensão e bem movimentado. Os Clubes de Praia, para nós Barracas de Praia, enormes, alinham-se lado a lado no calçadåo. Estes clubes possuem quadras de tênis, vôlei e alguns até piscina. Neles alugam-se guarda-sois com espreguiçadeiras, mesinhas e cadeiras, além de servirem na praia. Garçons nåo se aproximam a nåo ser se chamados e nada de vendedores chatos. Caminhamos até a Piazza de S. Francesco, onde, num Mercato compramos shampoo e água. Voltamos por um largo calçadåo numa rua sø para pedestres, paralela a praia, olhando as belíssimas vitrines das lojas em ambos os lados da calçada. Famílias em ferias lotavam a pequena cidade. Demos um bom passeio a pé por Pescara, passando por praças, ruas comerciais, jardins e, decididamente, gostaria de passar férias naquela cidade. De volta ao Hotel, paramos num restaurante ao lado, jå cheio aquela hora e comemos uma deliciosa pizza, tomando o vinho da casa, muito encorpado, forte e delicioso. De sobremesa tomamos um Gellato e fiquei me perguntando o porque dele ser tåo saboroso. Dia seguinte, subimos ao restaurante no ultimo andar do Hotel, para o café da manhã e, então, que bela surpresa. Da varanda do restaurante a vista da Piazza Prima de Maggio, da Spiaggia Libera e dos Lidos, com seus guarda-søis coloridos e organizadamente alinhados na praia, era simplesmente espetacular. Tomamos café demoradamente apreciando a bela paisagem e então descemos para nosso primeiro banho de mar do passeio. Fomos ao Lido Azzurra, alugamos por 6 Euros um ponto e passamos horas e horas muito agradaveis. Passeamos pela praia, mergulhamos nas águas azuis do mar Adriático, lanchamos, tomamos vinho e sucos, enfim, curtimos muito nossa bela praia, sob um sol forte, céu limpo e alta temperatura, o que fez de nosso dia mais belo. A noite, fomos passear novamente no calçadåo, onde muitos casais em grupos e separados passeavam e curtiam os restaurantes. Enormes grupos de jovens aqui e ali se divertiam, flertavam. Entramos em um daqueles Lidos, em que ainda havia mesas vagas e la ficamos apreciando a noite, o movimento, conversando e aproveitando a quente brisa do mar. Noite de ficar na memória.  Dia seguinte já estaríamos em novas paisagens, conhecendo outros lugares. Ja, noite bem avançada, nos recolhemos.

























quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CAMERINO - It.



Acordo com o sol entrando pela janela e ouço o revoar e o cantico dos pássaros. Apos arrumar as malas, tomo o café da manhã e deixo o Hotel Fontebella, rumo a Camerino a 70km. La encontrarei a Fernanda e juntos iremos para Pescara, jå na Costa Adriática. Por uma estrada sinuosa, porém com lindas paisagens, enormes plantações de girassóis e oliveiras. Passo pela Cidade de Serravalle di Chienti, que se estende ao longo da estrada por alguns quilômetros. Mais adiante jå com sede, passo pela Comune de Muccia, onde resolvo parar para tomar água, pois o calor jå estava no auge. Saio da estrada e encontro logo o Ristorante dal Cacciatore onde encosto e peço uma garrafa de água gasosa. O restaurante, no momento com poucos clientes, é todo mobiliado em estilo rústico, como sendo de caçadores mesmo, pois cabeças de Javalis, Alces e alguns que nåo sei o que são adornam as paredes de madeira. Na varanda algumas armadilhas penduradas no teto. Despeço-me e percebo que devo ter pronunciado alguma palavra errado, pois confundem-me com Espanhol. Volto para a estrada e pego a rota para Camerino, que devia jå estar bem próximo. A estrada começa a ficar bem sinuosa, com curvas bem fechadas e pelo GPS vejo que estamos subindo o Monte Sibillini e, logo, avisto bem no alto a cidade de Camerino, em estilo medieval, onde se destaca a Torre da Catedral. Logo passo pelo enorme Portão de pedras rosas, atravesso ruas estreitas e sinuosas e chego no ponto de encontro, a Piazza della Cathedral de Camerino. Encosto o carro e dai em diante sera a pé. Sinto a cidade vazia, suas ruas quase desertas, janelas fechadas, comercio fechado, fora alguns que ainda abrem. Camerino é uma Cidade Universitária, longe da rota do turismo e os estudantes são quase todos de fora. A cidade fica praticamente deserta. Visito a Cathedral que, pelas outras que vi, acho-a simples, porem muito bem conservada e seu interior muito rico em pinturas ou frescos e obras de arte sacra. Logo adiante o Palazzo Ducalle, com suas belas escadarias. Passo pela Fontana de Camerino, pelo Duomo e sigo pela rua ao lado do Duomo até a Piazza Giuseppe Garibaldi, onde encontro a Scuola Dante Alighieri - Corsi di Língua e Cultura Italiana onde combinei de encontra-la. Enquanto espero observo na mesma praça o Cinema e Teatro Comunale Ugo Betti, fechado a esta hora. Uma bela Fonte jorra água límpida e gelada, que serve para pássaros tomarem banho aos bandos. Encontro Fernanda e fico sabendo que as 14:oo horas ela e os demais estudantes receberão seus Certificados de Conclusão de Curso e sø depois disso é que sairemos. Vamos então ao alojamento dela e pegamos suas malas para colocar já no carro. Após vamos comer o Melhor Kebab da Italia, como diz a placa da Osteria na praça. Se é o melhor nåo sei, mas que estava bom, estava, e muito. Tanto é que antes de sair comi outro. Enquanto esperávamos o horário demos uma passeada pela cidade, por suas ruas estreitas, suas piccolas piazze, um mirante fabuloso das terras abaixo do Monte Sibillini, da Universidade de Camerino, Danceteria, Igrejas. Muitos monumentos, esculturas, fontes em esquinas e praças, mostra que Camerino, como as demais cidades italianas que visitei, são Museus a céu aberto. Merecem serem visitadas. Bem, chega a hora, Fernanda recebe seu Certificado, despede-se das amigas e vamos em direção a Costa Adriática, Pescara, nossa próxima parada. Até lå.



terça-feira, 4 de outubro de 2011

ASSISI - Continuação!

Dia seguinte, levanto-me com as pernas pesadas, musculatura dolorida, sem vontade de sair da cama, porém ainda tinha muito a conhecer e andar e, pior, subir. Capricho no café da manhã, roupa bem leve porque o calor jå tinha dado as caras e saio. Hoje a primeira visita serå a Basílica de São Francisco, onde seu corpo esta sepultado. Na descida passo novamente pela Piazza del Comune, pelo Escritório de Turismo e pelo Museu de Historia Local, que, por sua arcada diferente e bem ornamentada com colunas e estatuas romanas, atraem minha curiosidade. La dentro vejo todo o primeiro pavimento repleto de fotos dos estragos do terremoto de 1997 e das obras de restauração que durou dois anos. No segundo andar, muitas pinturas e obras de arte romanas. Continuo andando por esta bela cidade medieval com ruas repletas de gerânios e piazze com fontes, até chegar na Piazza Unitå d'Italia, onde vejo a Porta de S. Francisco com sua elegante e grossa arcada. Bem, aí começa a peregrinação, uma longa ladeira morro acima. Passo pela Piazzeta Ruggero Bonghi e, sempre passando por antigas casas, enfeitadas com muitos vasos de flores, chego na Praça da Igreja Inferior de S. Francisco. Olhando para a Basílica, tenho a impressão de serem duas Igrejas, uma sobre a outra e a seus pés o grandioso complexo do Sacro Convento. Nesta Praça encontro a entrada do Sacro Convento, o Oratório de S Bernardino de Siena e o alto Campanário, elegante e imponente. Entro na Igreja Inferior e noto que é mal iluminada, uma penumbra. É de uma sø Nave com diversas Capelas a seu redor, todas adornadas com vitrais com desenhos religiosos. No centro da Igreja o Púlpito, todo decorado, em mármore. Toda a Igreja, paredes e tetos cobertos por belas pinturas de cunho religioso e, perto da porta, um confessionário muito antigo, de madeira toda trabalhada. Para a Igreja Superior de S. Francisco existe uma dupla escadaria que parte da Praça da Igreja Inferior e também uma forte e larga rampa. Prefiro a rampa. No alto um amplo espaço aberto, com um gramado muito bem tratado, onde em alto relevo, com flores, lê-se PAX. Mais acima uma estatua de um cavaleiro sobre um cavalo, de frente para a Igreja, ambos com a cabeça inclinada em sinal de respeito. A Igreja também de uma sø nave, porém muito bem iluminada por amplas janelas e vitrais antigos. Nas paredes e tetos um enorme complexo de pinturas belíssimas. Fui informado por um Frei Franciscano no local, de que aqueles "frescos" ( como ele disse chamar as pinturas) eram de grande interesse e considerados entre as mais importantes obras-primas da arte italiana. A enorme e alta nave, de uma beleza exuberante, com um longo corredor, nos leva a um Altar Mor  de admirável beleza e, mais ao fundo, o local destinado ao coro, onde existe o Trono Papal, de pedra, do século XIII. No centro da nave situa-se uma escadaria de pedra rosa, que passa pela Igreja Inferior e continua descendo até a Cripta que guarda o túmulo de São Francisco, todo iluminado por velas e duas tochas laterais, fazendo um efeito impressionante e emocionante. Saindo da Cripta pela Igreja Inferior chego ao pátio do Sacro Convento. O grandioso edifício foi construído no século XIII. Percorrendo o edifício, passo pelo Claustro, onde chama a atenção a dupla arcada do século XV, o Ambulacro, a Sala do Capitulo, onde existe um grande e belo crucifixo, o Quarto de San Giuseppe da Copertino, e o Refeitório, com um enorme quadro da Ultima Ceia. Do outro lado do enorme corredor, encontro os enormes aposentos da Residência Papal e uma grande sala do Tesouro. Nesta sala encontro uma interessante coleção de pinturas, documentos e objetos que acompanharam a historia da construção da Basílica e a Historia da vida de São Francisco e da Ordem Franciscana. Deixo então para trás a Basílica de São Francisco, em direção ao centro da cidade, percorrendo ruas graciosas e típicas, com pequenas casas todas de pedra e cruzamento de ruelas e arcos, descobrindo belos monumentos e interessantes exposições, acentuando o sentimento de estar andando em uma cidade medieval. Fantástico! Na Piazza Unita D'Italia, no Restaurante da Domenicci, peço o prato do dia. Era cordeiro. Nåo aprecio este prato, mas como assim mesmo. Era hora de voltar ao Hotel, por as malas no carro e seguir para Camerino, onde pegarei a Fernanda, minha filha, que passará oito dias comigo. Assisi ficou marcada na minha memória. 


















domingo, 2 de outubro de 2011

ASSISI

Ultimo dia em Firenze. Desci para o café da manhã já em ritmo de despedida, ainda com aquele gostinho de que queria ficar mais. Mas tinha ainda muita estrada pela frente. Acertei as contas com o Hotel, despedi-me dos funcionários, agradecendo a acolhida, coloquei malas no carro, ajustei o GPS e rumo a Assisi, já na Umbria. Seriam 173 km ou aproximadamente duas horas de ótimas estradas, com vistas deslumbrantes. Uma hora depois em passava pelo espetacular e enorme Lago Trasimeno, com as visitadas Isola Maggiore e Isola Minore, porem ainda poucas pessoas andavam por lå. Parei o suficiente para admirar a beleza do local e para comprar água, pois o calor me acompanhava. Jå na Umbria, passei ao largo por Peruggia e logo mais passei a avistar ao longe e no alto do Monte Subasio, a cidade natal de São Francisco de Assis. A estrada tornou-se estreita e com muitas curvas, algumas muito fechadas e sempre subindo. Quanto mais me aproximava, chamava-me atenção os enormes e íngremes paredões, com grossas arcadas, sobre as quais se construiu o complexo religioso. A estrada continuava a serpentear pela encosta do morro, sempre subindo. Repentinamente, após uma fechada curva, surge finalmente o enorme portal de entrada da cidade. Seguindo sempre o GPS, dirijo-me para o Hotel Fontebella, onde ficarei por dois dias. Estando já alojado, saio para conhecer a cidade e a Basílica de São Francisco. Como o Hotel fica num alto da cidade, desço até o centro da cidade, a Piazza Del Comune, local do Fórum Romano. No local ergue-se a Torre del Popolo e a seu lado o Tempio di Minerva, intacto, com suas belas colunas, erguido no século I a.C. Em frente ergue-se o Palazzo Comunale que abriga a Pinacoteca Comunale e, a seu lado, uma bela fonte onde um Leão jorra água pela boca. La também se localiza o Escritório de Turismo, onde recebi um mapa localizando as atrações do local. Desço um pouco mais e encontro, no Corso Mazzini, a Basílica di Santa Chiara, onde esta enterrada Santa Clara, aliada de São Francisco e fundadora da Ordem Franciscana das Clarissas. Construída em 1255, esta bela Igreja  de pedras brancas e rosas, possui um interior belíssimo, de grande altura e, além da bela Cripta que guarda o corpo da Santa, existem três Capelas, identificadas como Capela de Santa Ines, Capela do Crucifixo e Capela do Sacramento. Na Capela do Crucifixo encontra-se o magnifico crucifixo que teria ordenado Francisco a consertar a Igreja de Deus. Continuando, agora já iniciando uma subida, encontramos uma pequena praça, com uma fonte de pedras brancas e cuba de mármore branco. La encontram-se lado a lado, a Igreja de Santa Maria Maior e a Igreja de Santa Maria Menor.  Entre as duas destaca-se uma pequena Torre. Subindo a Via dos Maccelli Vecchi chegamos a Praça da Igreja Nova, onde se encontra a Igreja Nova, construída no século XVII, no local onde se situava a casa de Pietro de Bernardone, pai de São Francisco e onde o Santo morou por muitos anos. No interior da Igreja, muito bem conservado, situa-se o Cárcere, onde o poverello de Assis foi aprisionado pelo Pai para o punir da sua decisão de abandonar a família para se dedicar a uma vida de oração e meditação. Ao lado da Igreja, no Beco de Santo Antonio, esta o Oratório di San Francesco Piccolino.  Diz a tradição que São Francisco nasceu no estábulo que se encontra no rés-do-chåo. Desta forma seu nascimento assemelhou-se ao de Jesus. Num incessante sobe e desce, mais sobe do que desce, chegamos a Igreja de San Rufino. É a Catedral de Assis e uma das mais belas construções medievais. Construída no século XI pelo Bispo Ugone, para honrar condignamente os restos mortais de S.Rufino, padroeiro da cidade. Ao lado, apoiado numa construção romana, ergue-se o belíssimo Campanário. No interior da Catedral, numa pequena capela fechada por grades, vemos uma bela Pia Batismal, talhada num bloco de pedra. Diz a tradição que nesta Pia foram batizados S. Francisco e Santa Clara. Debaixo do Altar Mor encontra-se o túmulo de S.Rufino.  Ainda subindo chego a Piazza Garibaldi e continuo subindo pela Via Fontebella. Passo pela Fonte Marcella, uma taça retangular ricamente ornamentada do século XVI  e chego ao Oratório dos Peregrinos, antigamente um Hospital. Avisto então no alto de um monte, uma Fortaleza, com suas torres e muralhas dominando a cidade. Consulto o guia e vejo tratar-se da Rocca Maggiore, uma fortaleza do século XII. Suas três enormes torres, encimadas por bandeirolas e suas muralhas, parecem dominar toda a cidade de Assisi. É uma caminhada considerável, porém resolvo enfrenta-la e assim, após aproximadamente meia hora, chego ao enorme portão da Rocca Maggiore. Percorro os belíssimos e escondidos recantos da Fortaleza. Seus enormes salões, salas de armas, depósitos, aposentos e sinto-me como se estivesse rompido a barreira do tempo e voltado ao passado. Um sentimento diferente, gostoso. Eu estava no passado! Bem, hora de retirar-me para a cidade e para o Hotel. Mais de 20:30horas e a noite já ameaçava chegar. Com fome e cansado tomei o caminho de volta. No Hotel, após um belo banho, sopa de legumes bem quente, frios e paes, faço minhas anotações e vou dormir, já pensando no dia seguinte. Continuarei na próxima Postagem.